Federação Nacional dos Corretores de Imóveis

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ESTA É A HORA DE COMPRAR SEU IMÓVEL

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OFERTA MAIOR DERRUBA EM 20% OS PREÇOS DE IMÓVEIS

Como há muita oferta, o consumidor deve ter paciência para pesquisar e disposição ao negociar. O desconto médio, dizem especialistas, já é de 20%

Os preços dos imóveis chegaram a subir ao ritmo de 30% ao ano até meados de 2011 em todo o Brasil, mas o fenômeno acabou. No Distrito Federal, o aumento foi de 5,5% nos seis primeiros meses deste ano, contra 7,45% em outras sete capitais. Com a grande quantidade de ofertas de empreendimentos, o prazo de vendas se elevou em até seis meses. E mais: os bancos reduziram as taxas de financiamento e ampliaram as condições de pagamento para 35 anos.

Consumidor que tiver paciência e disposição para negociar poderá obter descontos na compra da casa própria. Estoques elevados e necessidade das construtoras de fazerem caixa reduzem o ritmo de valorização dos empreendimentos

O boom dos preços dos imóveis, que chegaram a subir ao ritmo de 30% ao ano até meados de 2011 em todo Brasil, chegou ao fim. As vendas diminuíram e o que se vê no mercado é uma superoferta de empreendimentos, que está dando aos consumidores a chance de obter excelentes descontos, em média de 20%. A dica dos especialistas é clara: não aceite a primeira oferta. Pesquise, compare, exija abatimento. Com estoques além do desejado, as construtoras já se convenceram de que é melhor vender por menos do que acumular prejuízos ao manterem imóveis encalhados. Não à toa, as empresas reduziram os lançamentos.

A situação para os consumidores está melhor do que nunca. Além dos elevados estoques das construtoras, as pessoas físicas que compraram apartamentos na planta para especular na venda do ágio, quando o empreendimento ficasse pronto, estão, agora, se dando conta de que os tempos de exageros nos preços ficaram para trás. Prestes a pagarem a parcela das chaves, muitos investidores estão aceitando repassar os imóveis, adquiridos até três anos atrás, por um valor pouco maior ou praticamente equivalente ao que foi desembolsado com entrada e prestações, dependendo da localidade.

Para se ter uma ideia de como os ventos estão soprando a favor dos consumidores, as vendas que, até 2010, eram realizadas em 90 dias, na média, hoje levam seis meses ou mais, afirma o corretor Armin Reinehr Neto, do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Distrito Federal (Creci-DF). Por isso, conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Fipe), da Universidade de São Paulo, o aumento dos preços de imóveis prontos perde força aceleradamente. Os valores, que avançaram 10,2% em sete capitais nos últimos seis meses de 2011, subiram 7,45% de janeiro a junho deste ano. No DF, essa alta foi menor — de 2,99% no segundo semestre de 2011 e de 5,5% nos seis primeiros meses de 2012.

Segundo corretores, os negócios de compra e venda são fechados por valores mais baixos, principalmente quando o comprador está com o dinheiro na mão e não é colocado outro imóvel ou veículo como parte do pagamento. Atualmente, as vendas mais rápidas são as que envolvem, no negócio, outro imóvel de valor menor.

Sem euforia
"Os preços continuam subindo na média, ainda que em ritmo mais lento. Mas não se vê mais o clima de euforia dos últimos anos. Houve mudança de patamar dos preços, que esbarrou na capacidade de pagamento dos compradores", observa o economista Eduardo Zylberstajn, coordenador do índice da Fipe que mede a valorização do mercado imobiliário. Segundo ele, a voracidade do consumidor não é mais a mesma, mesmo havendo a necessidade e a vontade de ter a própria casa. "Em qualquer mercado, quando há aumento de preço, é esperado que a quantidade ofertada aumente e tenha menos pessoas em condições de comprar ou com interesse de pagar o que está sendo cobrado", analisa.

Para o engenheiro Cláudio Tavares de Alencar, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), a tendência é de estabilização dos preços dos imóveis ao longo deste ano. "Os valores estavam subindo muito fortemente. Surgiu o risco de se formar uma bolha (que, por sinal, foi motivo de alerta do Banco de Compensações Internacionais (BIS), o BC dos bancos centrais). Porém, o mercado deu uma freada. Já há acomodação clara do avanço dos preços nas principais cidades", constata.

Como já não aceitam mais a supervaloriza dos empreendimentos, os consumidores têm preferido comprar imóveis que cabem no seu orçamento, de tamanho menor ou em bairro diferente do pretendido originalmente. A ordem é não transformar um sonho em uma grande dor de cabeça. "Como os salários estão se distanciando dos preços dos imóveis, muitos compradores estão procurando imóvel um pouco inferior ao que gostariam anos atrás", afirma o vice-presidente de Incorporação Imobiliária e Terrenos Urbanos do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Emílio Kallas.

A depender do bairro, porém, é possível encontrar imóveis até com preço menor que de um ano atrás. Isso está ocorrendo porque há mais ofertas em algumas áreas das principais capitais, o que está levando as construtoras, principalmente as de capital aberto, com ações negociadas na bolsa de valores, a baixar os valores cobrados para fazer caixa. Isso inibe o crescimento dos preços em geral.

Fonte: Correio Braziliense - 22/07/2012