Federação Nacional dos Corretores de Imóveis

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NOVO CORRETOR DE IMÓVEIS TEM DE SER UM CONSULTOR DE BONS NEGÓCIOS

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Entrevista com Joaquim Ribeiro, presidente da Federação Nacional dos Corretores de Imóveis (Fenaci)

Exemplo de profissional bem-sucedido e ao mesmo tempo dirigente sindical antenado com as necessidades e aspirações da categoria que representa, Joaquim Ribeiro tomou posse como presidente da Federação Nacional dos Corretores de Imóveis (Fenaci), dia 30 de março, sucedendo ao atual presidente da CNPL, Carlos Alberto de Azevedo – do qual foi vice-presidente em duas gestões –, acenando com a disposição de intensificar esforços na ampliação da formação e qualificação dos profissionais, de forma que os corretores de imóveis se tornem mais do que intermediários de transações imobiliárias, transformando-se em verdadeiros consultores de bons negócios. Joaquim Ribeiro é o entrevistado da vez na série destinada à apresentação dos presidentes das Federações filiadas à Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL) e do trabalho realizado por essas entidades sindicais. Confira a íntegra da entrevista.



Presidente Joaquim Ribeiro, conte-nos um pouco da sua trajetória na área sindical, onde atuou no Sciesp (Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo) e na própria Fenaci, entidade que ajudou a estruturar.

Meu contato com o universo sindical se deu logo no início de minha carreira, como corretor de imóveis, por volta de 1976, quando comecei a frequentar o sindicato da região em busca de maiores informações sobre a carreira. Como fruto deste relacionamento, me tornei diretor-regional do Sciesp, para a área de São José do Rio Preto. Na sequência ocupei cargo de diretoria no âmbito estadual, já na capital; daí fui alçado à vice-presidência e posteriormente à presidência do Sciesp, entre 1986 e 1987. Em 1986, então já na presidência do Sindicato, ajudei na criação e fundação da Fenaci, juntamente com Carlos Alberto de Azevedo, que foi o 1º presidente, cabendo a mim a honra de ter sido o 1º vice-presidente. Nas duas últimas gestões da Fenaci, recebi a incumbência, também como vice-presidente, de estreitar os contatos da entidade com diversos parceiros na área internacional. Graças a Deus, foi um trabalho bem desenvolvido e que rendeu excelentes frutos para a Fenaci, que teve suas ações e seu nome reconhecidos em escala global. Conseguimos inserir, de forma efetiva, o corretor de imóveis brasileiro no mercado imobiliário mundial. Por fim, mediante indicação dos meus pares, resolvi aceitar o grande desafio de dirigir a Fenaci e buscar desenvolver um bom trabalho em prol dos corretores de imóveis de todo o Brasil.

Quais são suas expectativas e metas ao dirigir a entidade máxima da categoria de corretores de imóveis?

A meta principal é o fortalecimento das bases sindicais. A partir daí, foco total nas questões que dizem respeito à qualificação, atualização e crescimento profissional da categoria. Entendemos que, cada vez mais, o corretor de imóveis deve se tornar um consultor de bons negócios, ganhando junto ao cliente, seja ele vendedor ou comprador, status semelhante ao da tradicional figura do médico de família. Um profissional gabaritado, que vai fazer com que a transação imobiliária seja uma via de mão dupla, beneficiando todos os envolvidos. E o caminho dessa ampla qualificação que a Fenaci vai buscar oferecer é através da nossa universidade corporativa, a Unimóveis Brasil. Entendemos que o moderno corretor de imóveis tem de dispor e de utilizar de uma série de conhecimentos necessários para o bom exercício profissional como matemática financeira, contabilidade, avaliação de imóveis, fundamentos jurídicos, domínio de uma outra língua, entre outros predicados, que serão disponibilizados através de cursos específicos, palestras, oficinas e workshops. Todo esse conteúdo também poderá ser alcançado pelos profissionais através dos Foreci’s (Fóruns Regionais de Corretores de Imóveis), que ocorrerão ao longo deste ano, em todas as regiões do País, bem como no Conaci (Congresso Nacional de Corretores de Imóveis), o maior encontro profissional do gênero, que acontecerá em 2014. Outro ponto importante será a intensificação do acompanhamento de matérias de interesses da nossa categoria em todas as esferas de poder a fim de que possamos influir de forma mais efetiva nas decisões políticas, econômicas e sociais que dizem respeito aos corretores de imóveis, como por exemplo, a inclusão da categoria no Simples Nacional, a isenção de IPI para a compra de automóvel, ferramenta indispensável para nossa profissão, e a criação da figura do corretor associado, entre outros temas.

Qual a sua análise do atual momento do mercado imobiliário, passada aquela euforia do ‘boom’ posterior à crise que acometeu o mercado internacional?

O mercado imobiliário nacional continua atravessando um bom momento, e já atingimos uma fase de estabilidade. O que aconteceu nos três últimos anos, e que as pessoas chamaram de boom, foi motivado por uma demanda superaquecida, pela estabilidade macroeconômica e de emprego e renda, bem como financiamento imobiliário farto e segurança jurídica, por um lado, e por outro uma baixa oferta de imóveis, agravada pelo nosso enorme déficit habitacional. Tudo isso, como era de se esperar, elevou um pouco o preço do imóvel. Mas, como a lei da oferta e da procura é soberana, as relações de mercado caminharam em direção aos acertos necessários e hoje já vivemos em uma situação de estabilização de preços. Mas o mercado nacional ainda oferece condições bastante favoráveis de crescimento. Para se ter uma ideia, a participação do financiamento imobiliário na composição do PIB nacional era, há três anos, da ordem de 3,8%; atualmente, representa 6,3%. E isso ainda é irrisório, se levarmos em conta que em países mais desenvolvidos a participação do financiamento imobiliário no PIB ultrapassa a casa dos 60%. Mesmo na América Latina, países como Chile e México investem muito mais do que o nosso em financiamento imobiliário. Portanto, ainda temos muito para onde crescer. E, também, não podemos nos esquecer de que há um forte componente cultural brasileiro que coloca o investimento em imóvel como exemplo de solidez. A isso se soma a boa valorização obtida nos últimos anos e podemos afirmar, sem medo de errar, que investir em imóveis é, realmente, o melhor negócio.

O senhor acha que o Brasil ainda pode ser chamado de a ‘bola da vez’? Ainda há interesse por parte de investidores estrangeiros no nosso mercado imobiliário?

O Brasil ainda é extremamente interessante para o investidor estrangeiro. Um dos principais termômetros que sinalizam ao investidor de fora a força do nosso mercado é o baixo índice de inadimplência, da ordem de 1,8%, enquanto em outros mercados é muito maior. No Brasil, o dinheiro emprestado para o financiamento imobiliário tem retorno quase que garantido, em função da rigidez na concessão de crédito, no arcabouço jurídico, que permite a rápida retomada do imóvel, por exemplo. Embora outros mercados mundiais já mostrem sinais de recuperação, como é o caso dos Estados Unidos, o investidor internacional ainda encontra no País um leque de oportunidades de investimento bastante amplo e promissor. Acho que esse cenário ainda vai perdurar por um bom tempo, ainda mais com as possibilidades abertas pela realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas, que realçaram ainda mais o potencial econômico brasileiro.

Sob o olhar do dirigente sindical, como o senhor analisa o momento por que passa a profissão de corretor de imóveis no Brasil?

Recentemente, tive acesso a uma pesquisa sobre o mercado de trabalho norte-americano e nela constava que os corretores de imóveis de lá possuíam o melhor índice de satisfação em relação à profissão exercida. É lógico que nós ainda não atingimos o patamar profissional que o profissional americano desfruta, mas não podemos negar o enorme desenvolvimento profissional dos corretores de imóveis brasileiros. Nos últimos anos, milhares e milhares de profissionais liberais de todas as áreas migraram para a carreira de corretor de imóveis. Isso sem contar com aqueles que escolheram a profissão como sua primeira opção de vida. A junção desses fatores representou um salto qualitativo muito grande para a profissão, que hoje é exercida, em sua larga maioria, por profissionais com nível superior e muito deles com pós-graduação, mestrado e doutorado na área de gestão imobiliária. É lógico que ainda existem discrepâncias de nível profissional observadas nas diversas regiões brasileiras, em seus mais profundos rincões. Mas, ao mesmo tempo, tenho a certeza que, buscando qualificação e atualização desses profissionais, em pouco tempo poderemos tornar a profissão de corretor de imóveis uma das mais atraentes do mercado de trabalho brasileiro.

Que mensagem o senhor deixaria para os corretores de imóveis neste início de gestão na Fenaci?

Vamos trabalhar fortemente para bem representar a categoria em todas as instâncias e em todas as situações. Aproveito para conclamar os corretores de imóveis de todo o Brasil a que se associem aos sindicatos de sua região e que venham, decididamente, nos ajudar a construir uma base mais sólida e mais efetiva para um melhor exercício profissional, pois é sabido que juntos seremos sempre mais capacitados para vencermos as dificuldades. Há muita gente entrando no mercado. Como houve esse boom nos últimos anos, agora vai haver um pouco de acomodação também.  Mas eu acho que a procura pela profissão vai continuar em alta, porque atualmente é uma  das profissões mais rentáveis e flexíveis. Ele faz a hora de trabalho dele, ele faz o seu salário. É ele quem faz acontecer. Como já tinha citado antes, houve uma pesquisa nos Estados Unidos sobre o grau de satisfação entre as profissões. O primeiro lugar do ranking, com 4,6%, ficou com os corretores de imóveis.  E, hoje, com essa tecnologia toda, podendo trabalhar de qualquer lugar, a profissão só tende a ganhar mais espaço. Nos Estados Unidos, o cliente escolhe um corretor para comprar, ou escolhe um para vender, e vice-versa. É como o médico da família, o advogado da família. Nós já estamos vivendo isso. Hoje o corretor é um consultor. É um profissional que ao dar sua assessoria tem de saber de tudo. São detalhes. Se deixar um detalhe escapar, por falta de conhecimento, ele perde o negócio e perde a confiança do cliente. Então, quem for consultor de imóveis, tem de se aprimorar ao máximo, precisa estar plugado à constante evolução do mundo. Mas, acima de tudo, tem de estar atento a duas palavras-chave: informação e comunicação. A não observância de tais aspectos pode significar a diferença entre o sucesso e fracasso.

Fonte: CNPL