Federação Nacional dos Corretores de Imóveis

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NÃO HÁ RISCO DE BOLHA, MAS É BOM MANTER REGRAS DO CRÉDITO, AFIRMA DIRETOR DE HABITAÇÃO DA CAIXA

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O diretor-executivo de Habitação da Caixa, Teotonio Costa Rezende, afasta a possibilidade de formação de uma bolha imobiliária no Brasil, mas adverte para o perigo de “relaxamento das regras prudenciais” na área de financiamento. Segundo Rezende, “temos que manter regras de originação de crédito bastante seguras, para que possamos garantir a sustentabilidade do ciclo virtuoso do crédito imobiliário brasileiro”.

Mestre em Gestão e Estratégia de Negócios, o diretor-executivo da Caixa está entre os palestrantes do Fórum Regional dos Profissionais Corretores de Imóveis (Foreci), que acontece dia 2 de julho, no Bourbon Convention Ibirapuera, em São Paulo, promovido pela Fenaci em conjunto com os sindicatos filiados e entidades do setor e apoio de parceiros preferenciais.

Em entrevista ao portal da Fenaci, Rezende elenca os principais argumentos contra a possibilidade de bolha e faz alguns comentários sobre as perspectivas do mercado imobiliário, destacando também a área de credito e financiamento para o setor, que será o tema de sua palestra no Foreci.

O diretor-executivo Caixa, fala ainda sobre as expectativas que os agentes financeiros têm em relação ao profissional corretor de imóveis, que, dentro do requisito imprescindível de ética e transparência, deve, entre outras ações, “orientar o comprador quanto à melhor forma de obter o crédito, com foco também na educação financeira, não induzindo o adquirente a comprar um imóvel incompatível com sua capacidade de pagamento”.

Veja a seguir a íntegra da entrevista e entenda por que o Foreci é imperdível:

Como o senhor vê o momento do mercado imobiliário em nosso país?

Acreditamos na continuidade do ciclo virtuoso verificado ao longo dos últimos anos, porém, com crescimento em níveis mais moderados. Enfim, nossa avaliação é que já passamos pelo período de euforia e agora entramos em um momento mais próximo da realidade.

A Caixa fechou os cinco primeiros meses do ano com um volume de R$ 51,2 bilhões em contratações de crédito imobiliário, um crescimento de 39,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Quais são os principais fatores que conduziram a esses resultados?

O principal fator que induziu a expansão do crédito imobiliário no Brasil foi a estabilidade econômica iniciada pós-Plano Real (1994) e que foi se consolidando ao longo dos anos subsequentes. A partir da estabilidade econômica, com expansão dos níveis de emprego e renda, associada a importantes avanços no arcabouço jurídico, que mitigaram, em parte, os riscos de perda de capital, foi possível oferecer melhores condições de financiamento – redução da taxa de juros, ampliação dos prazos e das quotas de financiamento etc. Associa-se a isso a criação do Programa Minha Casa Minha Vida, por meio do qual o governo federal aportou elevada soma de recursos destinados a subsidiar a compra de imóveis por um segmento que, até então, se encontrava à margem do mercado, fazendo com que este passasse de simples carência para demanda por imóveis.

Como o senhor vê as perspetivas em relação ao crédito imobiliário no País? Existe algum risco de bolha?

Sem dúvida ocorreu um considerável aumento de preços dos imóveis nesses últimos anos, porém, boa parte deste movimento se refere à recomposição da base de preços que ficou por demais achatada ao longo do período de hiperinflação, principalmente aquele verificado na década de 1980 e primeira metade da década de 1990.  Ademais, o aumento de preço também está associado às melhores condições de renda das famílias e, mesmo que em menor grau, à melhoria da qualidade dos imóveis.

Alguns outros pontos também são argumentos importantes contrários à tese de formação de bolha imobiliária no Brasil como, por exemplo:

a) a maior parte dos imóveis transacionados destinam-se à moradia das famílias e não a investimentos. No caso da Caixa, por exemplo, que responde por aproximadamente 70% do market share de imóveis financiados no Brasil, menos de 3% dos financiamentos se destinam a quem já possui outro financiamento;

b) temos um déficit habitacional de quase 6 milhões de unidades  e necessidade de manter a produção de imóveis aquecida ainda por um longo período para enfrentarmos esse déficit já caracterizado, bem como para atender à demanda vegetativa;

c) A relação crédito imobiliário-PIB, que na maioria das economias maduras supera 50%, no Brasil ainda está bem abaixo de 10%, demonstrando que ainda há muito espaço para se expandir em crédito imobiliário;

d) a LTV (quota de financiamento), em média, está abaixo de 70%, e as regras prudenciais e de governança das instituições financeiras atuantes no Brasil, relativamente ao crédito imobiliário, são bastante rigorosas, o que tem garantido a constituição de uma carteira de crédito imobiliária bastante qualificada.

Portanto, não acreditamos que esteja ocorrendo a formação de uma bolha imobiliária no Brasil, porém, isso não quer dizer que estejamos imunes a ela e que poderia haver relaxamento das regras prudenciais. Muito pelo contrário, temos que manter regras de originação de crédito bastante seguras para que possamos garantir a sustentabilidade do ciclo virtuoso do crédito imobiliário brasileiro.

Como o senhor analisa o papel do corretor de imóveis no contexto do mercado imobiliário atual e em especial em relação ao segmento de Habitação da Caixa?

O que esperamos de um corretor de imóveis é que ele seja um autêntico “consultor de negócios”, ou seja, que tenha amplo conhecimento não só do mercado, como também dos produtos ofertados pelas instituições financeiras e tenha conhecimento e habilidade para orientar o comprador quanto à melhor forma de obter o crédito, com foco também na educação financeira, não induzindo o adquirente a comprar um imóvel incompatível com sua capacidade de pagamento. Outro requisito imprescindível é ética e transparência.

Faça agora mesmo sua inscrição – Entendeu agora por que você não pode perder o Foreci edição São Paulo? As inscrições para o Foreci podem ser feitas on-line acessando www.foreci.com.br. Mais informações ligar para (11) 3875.0635 e (11) 3865.5354. É importante lembrar que as vagas são limitadas.

Veja nos posts anteriores os demais palestrantes do evento.