Federação Nacional dos Corretores de Imóveis

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PAINEL DO FORECI DEBATE SAÍDAS PARA
SUPRIR DEMANDA HABITACIONAL NO PAÍS
 
Até 2022, para atender à demanda de habitação da população brasileira, será necessário construir cerca de 23,5 milhões de moradias. Este e outros números importantes integraram a exposição do presidente da Fenaci, Joaquim Ribeiro, durante o Fórum Regional dos Profissionais Corretores de Imóveis (Foreci), realizado em São Paulo, no dia 2 de julho.
 
Promovido pela Fenaci em conjunto com os sindicatos filiados e entidades do setor e apoio de parceiros preferenciais, o Foreci de São Paulo foi um sucesso de público e conteúdo, reunindo num mesmo dia temas e palestrantes de alto nível, como Teotonio Costa Rezende, diretor-executivo de Habitação da Caixa; Denise Campos de Toledo, jornalista especializada em economia; Eduardo Terra, mestre em Administração; e Mara Behlau, doutora em Distúrbios da Comunicação Humana.
 
HOMENAGEM A PAZZIANOTTO – Após a execução do Hino Nacional e antes do início dos trabalhos do Fórum, foi prestada uma homenagem ao jurista e ex-ministro Almir Pazzianotto Pinto, que entre outras funções de destaque esteve à frente do Tribunal Superior do Trabalho e em sua carreira teve dedicada atuação às causas ligadas aos sindicatos e às federações de trabalhadores, entre as quais a Fenaci.
 
Na ocasião, ele recebeu das mãos do ex-presidente da Fenaci, Carlos Alberto Schmitt de Azevedo, uma placa com os seguintes dizeres:
 
“Ao ministro Almir Pazzianotto Pinto, o eterno reconhecimento dos corretores e corretoras de imóveis de todo o Brasil, através de sua entidade de representação máxima, Fenaci, pelos inestimáveis préstimos em favor do crescimento da categoria e do fortalecimento das relações sindicais e de trabalho com dignidade. Nosso muito obrigado! São Paulo, 2 de julho de 2013.”
 
Como ministro do Trabalho, Almir Pazzianotto Pinto assinou a Carta Sindical expedida em 18 de dezembro de 1986 que deu origem à Federação Nacional dos Corretores de Imóveis (Fenaci). Num de nossos próximos posts traremos entrevista com o homenageado.
 
DISCUSSÃO SOBRE O MERCADO – Do painel de abertura, além do presidente Joaquim Ribeiro, solenemente empossado na véspera, participaram o presidente do Secovi-SP, Claudio Bernardes; o CEO do International Consortium of Real Estate Associations (Icrea), Thijs Stoffer; o presidente do Creci-RJ, Manoel Silveira Maia; e o presidente do Creci-DF, Hermes Rodrigues de Alcântara.
 
As discussões tiveram como ponto de partida a apresentação de Ribeiro sobre o momento atual e as perspectivas do mercado imobiliário no País, onde, entre outras informações, tratou-se do déficit habitacional do País, que fechou 2012 com algo em torno a 6 milhões de moradias.
 
Segundo dados de 2012, o Brasil tem 64 milhões de famílias, das quais 90% moram em casas e 10% em prédios de apartamentos. Prevê-se que em 2022 existam 80 milhões de famílias no Brasil. Só esse aumento do número das famílias, de 16 milhões, traria a necessidade construção de aproximadamente 22 milhões de casas.
 
O crescimento da demanda habitacional, porém, não acompanha tão somente a evolução da quantidade de famílias existentes. Segundo levantamentos da Caixa citados pelo presidente da Fenaci, a demanda habitacional é influenciada também por fatores como distribuição estaria da população, padrões de conjugalidade e idade média ao casar, formação de novos arranjos familiares e níveis de renda e capacidade de pagamento.
 
1 MILHÃO DE CASAMENTOS POR ANO – Ocorrem no Brasil, anualmente, cerca de 1 milhão de casamentos e 240 mil divórcios. Em 2010 foram realizados 977 mil casamentos no País, num crescimento de 4,5% em relação ao ano anterior. Vale ainda ressaltar que 98% dos novos cônjuges tinham 15 anos ou mais.
 
O certo é que no frigir dos ovos – levando-se em conta a evolução da necessidade de moradias desde 2010 – até 2022, segundo levantamentos do Construbusiness, o Brasil terá de construir 23,5 milhões de moradias.
 
Para Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP, a primeira grande questão que se apresenta é onde colocar tal quantidade de moradias nos próximos dez anos.
 
“Nós vamos ter que pôr nas cidades. Jogar 23,5 milhões de unidades no campo não é possível. As condições modernas exigem a economia de escala, de se aglutinar para poder melhorar os serviços, com maior variedade, transportes, emprego e lazer.”
 
E são, de acordo com Claudio, as cidades maiores que pegarão o maior percentual desses 23,5 milhões.
 
“Só que as cidades maiores são as que já têm os maiores problemas. Diante disso, vamos ter de entender que o planejamento urbano é fundamental para fazermos com que o mercado imobiliário possa se estruturar para atender essa demanda crescente que virá. E o corretor de imóveis está ligado a esse processo”
 
Todas as cidades do Brasil neste ano ou no próximo, destacou o presidente do Secovi-SP, estão discutindo os seus planos diretores estratégicos, onde se estabelecerão as diretrizes de crescimento. “É importante, não só o corretor, mas ele principalmente, começar a discutir sobre tais questões de ocupação urbana, porque essa na verdade é a vida de cada um de nós nas nossas cidades”, completou.
 
“O MELHOR TRANSPORTE É ESTAR LÁ” – “Aqueles que são de São Paulo sabem o quanto é caro para nós a mobilidade. Para resolver essa questão nós teríamos duas ou três alternativas. Em primeiro lugar, seria importante colocar transporte de massa eficiente e adequado para todo mundo. Mas isso não é tão fácil. Estive recentemente em Seul, na Coreia do Sul, que é do mesmo tamanho de São Paulo, com a mesma população. Que diferença tem entre Seul e São Paulo, fora a disciplina do povo oriental? Em Seul tem mais de 400 quilômetros de metrô. E nós temos 78 quilômetros. Como vamos fazer 300 quilômetros de metrô do dia para a noite?”
 
Para encarar o problema, segundo Bernardes, é preciso rever modelos de ocupação. E perguntou à plateia: os senhores sabem qual é o melhor meio de transporte que existe? E ele mesmo respondeu: “O melhor meio de transporte é já estar lá, é não ter que ir. Então o que temos a fazer é colocar as atividades e as residências próximas, de forma a diminuir os deslocamentos urbanos”.
 
Falando sobre o ligeiro descompasso que tem havido entre preço do imóvel e poder aquisitivo dos compradores, Bernardes disse  que a estabilidade nos preços é que vai fazer com que o mercado continue funcionando, mas para isso é necessário que a economia funcione de forma estável, com crescimento constante.
 
“Nós confiamos que o Brasil deve continuar crescendo, mas estamos passando por um momento bastante delicado da nossa economia, num período pré-eleitoral onde existe um pouco de incerteza”, comentou.
 
Para Bernardes, esse novo panorama de influência da população nos destinos da nação pode ter resultados sérios no desempenho eleitoral no próximo ano e na economia brasileira. “No entanto, acredito que existam formas de se lidar com essa questão de maneira satisfatória e acredito que o nosso mercado continuará crescendo.”
 
60% DO DÉFICIT NA FAIXA ATÉ 3 MÍNIMOS – Logicamente, ponderou, de uma maneira um pouco mais estável.  “Não se verá o crescimento abrupto que houve nos anos de 2009 e 2010, porque o mercado estava represado, estava aquém daquilo que poderia ter crescido nos anos anteriores, mas eu acho que nós vamos ter um mercado em crescimento.”
 
Questionado pelo presidente do Creci-RJ, Manoel da Silveira Maia, sobre os números do déficit habitacional, Bernardes afirmou que o índice está diretamente ligado a quem ganha até três salários mínimos.
 
“Cerca de 60% do déficit está alocado na camada da população que ganha até três mínimos. É a parcela mais difícil de ser atendida, e onde o Minha Casa, Minha Vida tem um papel preponderante. Aliás, nessa faixa não se poderia conceber um programa para reduzir o déficit habitacional sem subsídio do governou ou de qualquer outra fonte.”
 
Apesar de discutir a origem do subsídio, o presidente do Creci-RJ concordou sobre a importância do subsídio. “Se ele não existir a sub-habitação vai continuar. Acho que foi uma ideia inteligente, porque ajudou a tirar do submundo da habitação uma parte da população que não tinha condições de arcar com os custos para ter uma moradia digna”, afirmou Maia.
 
Hermes Rodrigues de Alcântara, presidente do Creci-DF, entre outras considerações, comentou a situação em que vive o mercado imobiliário do Distrito Federal, onde apesar da renda per capita alta, em função do serviço público estar na base dos salários, há uma demanda reprimida pelo primeiro imóvel, o de moradia.
 
A razão para tanto e para que os preços estejam em alta é, segundo Alcântara, o fato de haver uma disponibilidade de projeções muito menor do que em outras cidades.
 
“Não só pela limitação geográfica do próprio DF, mas dentro da capital, Brasília, propriamente dita, quando há disponibilidade de áreas ela é monopólio do próprio governo. Então, ele faz com que haja uma especulação no mercado imobiliário do DF. Ele lança em doses homeopáticas as projeções, disponibilizando para os compradores e construtores, algo que é logo absorvido pela demanda reprimida.”
 
Conforme o dirigente do Creci, está se chegando a um ponto em que não está mais havendo condições de compra dos imóveis nem pelos próprios funcionários públicos que moram em Brasília, fazendo-se necessária uma revisão de posturas para se encontrar um ponto de equilíbrio.
 
BRASIL E MÉXICO DESPONTAM NA AL – O painel de abertura do Foreci foi encerrado com a participação do CEO do Icrea, (Consórcio Internacional de Associações de Bens Imóveis), Thijs Stoffer, com que a Fenaci firmou parceria para trazer, durante os eventos do Foreci pelo Brasil, o curso Transnational Referral Certification (TRC), que habilita o corretor de imóveis  a fazer operações e negociações internacionais.
 
Stoffer fez uma rápida análise do mercado imobiliário no Brasil e traçou um panorama do que acontece no setor mundo afora.
 
O Icrea, conforme explicou, congrega 45 associações como o Secovi-SP e a Fenaci pelo mundo todo. Juntos são 1,8 milhão de pessoas participando. Por meio do site www.worldproperties.com, o Icrea disponibiliza 3 milhões de propriedades que estão ativas no mercado de venda. Como tem a “sorte” de estar em todos os países de onde vêm tais ofertas, Thijs Stoffer afirma possuir uma “boa visão do que está acontecendo nos mercados do mundo inteiro”.
 
Citando o Financial Times, que na manhã do dia 2 de julho em extensa reportagem perguntava se havia chegado ao fim o ciclo virtuoso da economia brasileira, Stoffer afirmou que a recuperação do mercado imobiliário nos EUA, em função da relação dólar/real e dólar/euro, vai fazer com que haja também um efeito positivo no Brasil e na Europa.
 
“No cenário internacional, o Brasil é muito importante, principalmente no que se refere à América Latina, onde juntamente com o México, o Brasil deverá desempenhar um papel-chave no desenvolvimento econômico”, destacou.
 
EUA COMEÇAM A SAIR DO SUFOCO – Segundo o presidente do Icrea, a queda do mercado imobiliário dos EUA foi o que deflagrou todo o processo de crise do mundo, “mas agora – vejam só – são os primeiros a se recuperar. O mercado imobiliário americano começou a crescer, e os preços se alavancaram no mercado residencial em 8,2%, parte disso creditado aos brasileiros que estão comprando propriedades em Miami, na Flórida”, disse.
 
“O mercado imobiliário norte-americano é um pouco volátil. Ele sobe e desce, mas em pouco tempo estará estruturado novamente. Um dos fatos importantes neste aspecto é a estrutura de financiamento que existe nos EUA. Lá a possibilidade de se obter crédito é muito fácil e o retorno dos investimentos também é muito rápido.”
 
Parecido com os EUA, o Canadá também tem operado bem no mercado, mas agora começaram a ter um pequeno decréscimo. “Por um tempo os canadenses acharam que esse não era um problema deles, mas agora eles estão vendo que está chegando um pouco da crise lá também”, frisou.
 
Stoffer advertiu que é preciso ter cuidado, porque os novos empreendimentos que estão vindo para o mercado agora foram entabulados e pensados dois anos atrás e adaptações precisam ser feitas.
 
“Temos que aprender com a crise e pensar um pouco nos empreendimentos futuros, levando em conta essa experiência de tudo o que aconteceu para que se possa projetar e planejar melhores produtos imobiliários”, destacou, lembrando o que está se passando com a Espanha, onde o mercado entrou em colapso toral.
 
“O desemprego, para jovens abaixo dos 25 anos, pode chegar a 55%.Imaginem como isso pode afetar o mercado imobiliário. Um número tão grande de pessoas, sem nenhuma perspectiva, o equivalente a quase metade da população da Espanha. Em razão de um mau planejamento passado, houve uma produção excessiva de unidades para férias. Hoje, há mais ou menos 1,5 milhão de unidades vazias, que seriam destinadas à segunda residência, principalmente para pessoas de outros lugares da Europa.
 
É PRECISO PENSAR A LONGO PRAZO – Por outro lado, continuou o CEO do Icrea, existem países na Europa que estão muito bem no mercado imobiliário. “Um exemplo é a Turquia, onde houve um crescimento de 8% nos preços nos últimos meses. Mas há outros mercados fortes também, como Noruega, Suíça, Polônia, que estão se saindo bem no mercado imobiliário. Os mercados do Mediterrâneo – Itália, França, Grécia e Espanha –, porém, continuam em baixa.”
 
Na Ásia, ele cita Hong-Kong, onde nos primeiros quatro meses do ano, os preços dos imóveis subiram 20%.  Em outros países da Ásia, Taiwan, indonésia, Malásia, o crescimento dos preços também ocorre, mas fica entre 1% e 4%.
 
Na Oceania – Austrália e  Nova Zelândia –,  pode se considerar que há um mercado estável, com aumento em cerca de 0,1%. Em Dubai e mercados do Oriente Médio, a economia tem-se recuperado, mas o mercado está estável, com algo em torno de 1% do crescimento de preço.
 
Nos países da África, segundo Stoffer, há investimentos estrangeiros fortes, principalmente de chineses, e os preços têm subido em torno de 3% e 4%.
 
Por fim, Thijs Stoffer deixou um recado aos corretores de imóveis, dizendo que esses profissionais precisam entender que se deve pensar a longo prazo.
 
“Não é só ganhar dinheiro agora e, sim, imaginar que existe um mercado futuro. Os corretores de imóveis têm de pensar na importância que possuem no mercado, para que ele se desenvolva de forma eficiente”.
 
Em entrevista ao portal da Fenaci, o dirigente do Icrea cumprimentou a entidade pela parceria com o consórcio, possibilitando o acesso ao mercado internacional de todos os seus filiados. Lembrou que o TRC, curso que será implementado paralelamente aos próximos Foreci’s, tem a proposta levar aos corretores conhecimentos e expertise para se relacionar bem tantos com os colegas do País quanto com os do exterior, criando uma dinâmica de conduta que certamente conduz a bons negócios.
 
Perguntado sobre a imagem geral do Brasil no exterior, em termos de mercado imobiliário, Stoffer ressaltou que o País tem um vasto potencial: “As oportunidades são enormes, a exemplo de São Paulo, que tem novos lançamentos o tempo todo. Os investidores sabem que o mercado esta em alta e que tem os momentos de oscilação. Mas têm muito interesse em investir aqui”.
 
MERCADO DEVE CRESCER 8% EM 2013 – A apresentação de Joaquim Ribeiro, que abriu o painel, teve, como ele próprio frisou, o objetivo de elencar uma série de dados nacionais do mercado imobiliário, com vistas a instigar os comentários dos participantes da mesa.
 
Em suas conclusões, Ribeiro alinhou entre os fatores positivos para o mercado imobiliário a sólida demanda de crédito; o crescimento, ainda que moderado; os números elevados tanto de casamentos quanto de divórcios, que geram necessidade de habitação; e o crescente e permanente desempenho do mercado de usados, especialmente nos grandes centros urbanos.
 
A expectativa do presidente da Fenaci, segundo o presidente Joaquim Ribeiro, é que, entre lançamentos e vendas o mercado imobiliário cresça 8% este ano.