Federação Nacional dos Corretores de Imóveis

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MERCADO IMOBILIÁRIO INICIA 2012 EMBALADO EM BOAS PERSPECTIVAS

Por Carlos Alberto de Azevedo – Presidente da Fenaci

Em 2011, a palavra crise voltou a rondar com força os mercados imobiliários em escala global. Enquanto nos Estados Unidos (exceção da Flórida, que com a ajuda de compradores brasileiros apresentou sinais de crescimento) e na Europa a estagnação econômica devastou economias, aqui no Brasil, a despeito de um cenário de desaceleração, o mercado imobiliário nacional reafirmou-se como uma ilha de excelência, liderando os indicadores de geração de emprego, renda e crescimento.

Ao final do ano, por exemplo, apenas a Caixa Econômica emprestou R$ 82 bilhões para financiamento imobiliário, representando um aumento de quase 5% em relação ao ano de 2010, o que colocou a entidade como responsável por uma fatia de 75% na concessão de crédito imobiliário. Com a participação das demais linhas de financiamento, o ano fechou com cerca de R$ 130 bilhões disponíveis para a compra da casa própria.

Mas o que já era bom vai ficar ainda melhor. Nem a crise mundial, nem a forte valorização dos imóveis nos últimos três anos vão segurar o mercado imobiliário em 2012. Os brasileiros que pretendem adquirir sua casa própria ou mesmo trocar de imóvel para um maior e mais confortável não terão problemas por falta de crédito. As projeções são de que, somadas todas as linhas disponíveis no mercado, serão disponibilizados cerca de R$ 160 bilhões para aquisição de imóveis prontos, construção e reforma — um recorde. O valor é 23% maior que o aplicado até o fim de 2011.

Perspectivas

Conforme expectativas do mercado, esse montante deverá financiar cerca de 1,6 milhão de unidades no ano. A maioria, R$ 100 bilhões, beneficiará a classe média — consumidores ou famílias com renda a partir de R$ 5 mil — e os recursos virão dos depósitos da caderneta de poupança.

Outros R$ 60 bilhões são do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e de outras fontes, como o Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e Fundo de Desenvolvimento Social (FDS), com recursos orçamentários da União. Os clientes dessas linhas de crédito, administradas pela Caixa, são os trabalhadores com renda familiar de até R$ 5,4 mil. Desse total, 72% vão para a nova classe C — famílias com renda até R$ 4,6 mil, conforme classificação da Fundação Getulio Vargas, utilizada pelo governo federal.

Ainda segundo especialistas no mercado, com um cenário desses de crédito farto, o consumidor que apostar em queda dos preços pode se decepcionar e não conseguir comprar depois o imóvel pretendido no orçamento programado. Neste ano, houve redução de preços em algumas cidades brasileiras, depois de um período de três anos de valorização expressiva, de mais de 100% em muitos casos.

Os brasileiros também têm procurado comprar seu primeiro imóvel cada vez mais cedo, até os 35 anos. Em 2000, essa parcela mais jovem da população representava 51% do total que tomou empréstimo para a casa própria. Em 2011, a faixa dos consumidores até 35 anos passou a abocanhar 57,3% do volume financiado. Em 2010, ano de maior crescimento do setor, eles ficaram com 59,2% de todo o crédito imobiliário.

Além do forte movimento de ascensão social, que tornou maioria a classe C, e dos sólidos fundamentos da nossa economia, o ainda grande déficit habitacional brasileiro é outro componente que ainda garante um longo caminho de prosperidade para o nosso segmento.

Todavia o que mais anima e estimula aos agentes do mercado imobiliário brasileiro é o percentual de crescimento do setor dentro do Produto Interno Bruto, onde a participação de recursos destinados para o crédito imobiliário ainda é bastante tímido, representando cerca de 3% do PIB. Países como Chile, México, entre outros na América Latina já passaram há muito de dois dígitos de crescimento em participação de crédito imobiliário no produto interno bruto.

Como se vê, ainda temos muito que crescer, e 2012 é apenas mais uma etapa nesta caminhada de sucesso. Bom ano e bons negócios para todos os corretores e corretoras de imóveis.