Federação Nacional dos Corretores de Imóveis

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte
Imprimir

IMÓVEIS RESIDENCIAIS: MOMENTO EXIGE CAUTELA E FAZER
MAIS COM MENOS, APONTA PAINEL DO SUMMIT IMOBILIÁRIO

O momento atual vivido pelo País em termos econômicos impõe ao mercado de imóveis residenciais cautela, empenho no sentido de se fazer mais com menos e treinamento da equipe de vendas para trabalhar os negócios com prazos mais longos e sempre buscando estabelecer relação de confiança com o cliente. Estes basicamente os caminhos apontados durante um dos painéis do Summit Imobiliário Brasil 2015, evento realizado dia 14/4, na capital paulista, pelo jornal O Estado de S. Paulo, em parceria com o Secovi-SP.

Do evento, aberto pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, participaram, como palestrantes e debatedores, nomes de peso do mercado imobiliário, do setor financeiro e da área de desenvolvimento urbano, como André Esteves, chairmain e CEO do Banco BTG Pactual, Helio Lima Magalhães, presidente do Citi Brasil, Jaime Lerner, arquiteto, urbanista e ex-prefeito da cidade de Curitiba (PR), Alexandros Washburn, urbanista que foi chefe de Design Urbano de Nova York (EUA), Walter Torre Júnior, presidente do Conselho de Administração da WTorre S.A., Carlos Terepins, diretor presidente e presidente do Conselho de Administração da Evens, José Paim de Andrade, CEO da MaxCasa, entre outras personalidades.

“O momento do mercado imobiliário, não só carioca, mas nacional, exige muito cuidado, muita cautela. É um momento em que as empresas precisam fazer diferente, fazer mais do menos e não mais do mesmo. Durante muitos anos nós não vendíamos imóveis, o cliente comprava. Acho que o mercado agora precisa passar por essa maturidade. Precisa rever os fundamentos da incorporação imobiliária, do seu produto, da localização, o que quer vender para o seu cliente, o atendimento, ou seja, precisamos focar nos fundamentos. E fazer mais do menos. Essa é a regra do momento.”

O comentário é de João Paulo Rio Tinto de Matos, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), um dos três participantes do painel sobre imóveis residenciais, um dos mais concorridos do Summit Imobiliário 2015, que reuniu ao todo 500 pessoas Grand Hyatt Hotel, em São Paulo.

MACROECONOMIA PREOCUPA – Para Carlos Terepins, diretor-presidente da Even, diante do cenário macroeconômico do País, vai ser “o ano mais complicado do mercado imobiliário nos últimos tempos. Isso já é uma realidade, pois já vivemos um terço dele. E 2016 também será uma incógnita. A minha sensação é que vamos ter uma redução importante no volume de lançamentos por parte do mercado como um todo. O empresariado está bastante sensível à questão da conjuntura macroeconômica.”

Segundo ainda Terepins, não adianta o crédito que alavanca o segmento, porque lá na frente ele tem de ser saldado.

“Todo projeto na produção tem financiamento, mas a dívida tem de ser paga, a realidade é essa. Todo cuidado é pouco. Eu tenho a impressão que nesse ano as empresas se dedicarão a resolver e equacionar os seus estoques, pois evidentemente se estiverem com saúde financeira melhor vão poder ser mais resistentes a ofertas muito agressivas.”

NÃO É HORA DE JOGAR – Outro palestrante e debatedor do painel, José Paim de Andrade, CEO da MaxCasa, empresa responsável pelos empreendimentos MaxHaus, e criador, na década de 1990, do famoso Plano 100, acredita que, como outras crises, esta também vai terminar e que o melhor, por hora, é “deixar o jogo passar”.

“Tendo vivido umas cinco ou seis crises, como a de 1983, que foi muito grave e onde nós entregávamos o apartamento com um carro na garagem e o primeiro ano de prestação grátis para quem assinasse o contrato, acho que o melhor conselho agora é deixar o jogo passar. Quero dizer que não está na hora de jogar. Não tem solução criativa que possa enfrentar um mercado que está em desaceleração, com excesso de estoque, uma economia aí frágil, um País politicamente frágil e a confiança do consumidor baixa É um momento de cautela. É esperar passar. Temos que atravessar essa crise, não há uma solução nem mágica nem imediata.”

Citando o que é feito em sua empresa, Paim de Andrade, no entanto, sugere que seja dada ênfase à equipe de comercialização. Sugere que sejam recrutados corretores de imóveis com mais experiência ou que recebam treinamento para buscar a confiança do cliente, sem pressa no processo de negociação.

“Vender imóveis é o processo de estabelecer confiança. A compra de imóvel sempre foi um processo de longa duração. Sempre a pessoa demora três, quatro, seis meses para formar a convicção do que ele quer comprar. Ele vai visitar todos os plantões, os apartamentos prontos, apartamentos antigos para reformar, ele quer ver tudo isso, porque é a compra mais importante da vida dele. Ele vai tomar essa decisão três a cinco meses depois. Hoje, quase todas as vendas que fazemos começaram três, quatro meses atrás. E o mais incrível é que quase 90% das vendas são feitas pela nossa equipe. Porque é gente que foi treinada para estabelecer relações de longo prazo.”

SUSTENTABILIDADE NÃO ENCARECE – Carlos Terepins, que em sua palestra, antes dos debartes, falou sobre sustentabilidade no mercado imobiliário, afirmou que a preocupação com esse aspecto não traz sobrepreço à construção.

“A sustentabilidade está de tal forma incorporada no processo de produção que ela não significa aumento no custo. Muito pelo contrário: ela traz práticas que até racionalizam a construção e permitem em alguns tópicos até uma certa economia. Não é uma determinada cunha do mercado que vai fazer com que a gente altere essa estratégia”, arrematou.

TUDO ERRADO, DIZ LERNER – Em sua palestra no evento, muito aplaudida ao final, o arquiteto, urbanista e ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, disse que toda cidade precisa de visão estratégica, que seja também solidária de modo a unir vida, trabalho e lazer de seus cidadãos. Ele criticou o isolamento urbano nos condomínios e defendeu a integração dos moradores com seus vizinhos e com a cidade como um todo. "A maneira como o mercado imobiliário está sendo pensado está totalmente equivocada", afirmou.

A “moradia intramuros” dos condomínios, como definiu Lerner, traz as cidades para dentro dos limites privados, com a necessidade de oferta de serviços desde padarias a shopping centers. Este processo encarece os empreendimentos e torna a moradia inacessível para grande parte da população, alertou o urbanista. Segundo ele, é necessário pensar a moradia e o local de trabalho próximos, porque além de diminuir a necessidade de deslocamento, eliminaria a necessidade de os próprios empreendimentos oferecerem cafés, restaurantes e lugares de esportes aos seus condôminos. "Isso é a rua que vai ofertar", disse.

Segundo o urbanista, o mercado imobiliário passa por um momento ruim devido aos altos preços. "O mercado cai porque está caro", disse. "Para comercializar mais, é preciso tornar o produto mais acessível", argumentou. Ele disse ser possível atingir este objetivo melhorando o serviço e diminuindo a burocracia. "País subdesenvolvido é o que compra como maior novidade o obsoleto", afirmou, listando diversas instalações típicas de condomínios de grandes metrópoles. "Playground, varanda gourmet, lan house, sala kids, espaço fitness... Parem com isso!", declarou, para palmas e risos da plateia.

Antes de finalizar sua apresentação, Lerner defendeu que o mercado imobiliário precisa "sair de dentro do muro" e conviver mais com a cidade. "Deve ser 'minha casa, meu trabalho, minha cidade' e não 'minha casa, minha vida, meu fim de mundo'", afirmou, em referência ao programa de moradia popular do governo federal "Minha Casa, Minha Vida".


Veja mais informações sobre o evento do Estadão em Clipping do Mercado.