Federação Nacional dos Corretores de Imóveis

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Déficit de moradias no Amazonas encarece o aluguel de imóveis

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Déficit de moradias no Amazonas encarece o aluguel de imóveis

O Amazonas possui o maior déficit habitacional do Brasil, segundo pesquisa da FGV. Enquanto o índice nacional é de 9,3%, a falta de moradia no Estado chega ao índice de 25,4%.

Manaus - Além de se preocupar com as contas de escola, impostos e outros gastos de início de ano, quem vive de aluguel tem que ficar atento com o aumento no preço da moradia que, em geral, é reajustado todos os anos. O reajuste dos aluguéis é pautado pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), calculado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mas segundo o presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Ailson Nogueira, reajustar o preço acima do índice é uma prática comum em Manaus. O indicador acumula alta de 5,9% nos últimos 12 meses.

 

“Como o déficit habitacional é grande, muitas vezes o locador força um aumento maior que o índice e o locatário acaba aceitando para manter o local, já que é muito difícil encontrar uma nova casa”, explica.

O Amazonas possui o maior déficit habitacional do Brasil, segundo pesquisa da FGV. Enquanto o índice nacional é de 9,3%, a falta de moradia no Estado chega ao índice de 25,4%.

Em Manaus, especificamente, a situação é ainda pior e atinge também o mercado de locações.

De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2000 e 2010 o número de habitantes que vivem de aluguel subiu 139% na capital. Com a alta rotatividade de moradores esporádicos, que vêm a cidade para trabalhar ou estudar, os preços sofrem uma hipervalorização.

“Este crescimento nos aluguéis é notadamente de uma população que está em trânsito. Esses trabalhadores vêm para ficar dois anos, em média, então preferem locar, a comprar”, afirma o vice-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Amazonas (Creci/AM), Ricardo Benzecry.

Quando soube que o aluguel de seu apartamento no bairro Parque Dez de Novembro seria reajustado em 20%, o microempresário Rudson Peixoto chegou a procurar um novo local para morar. Mas, depois de pesquisar, ele e sua esposa decidiram aceitar o aumento e permanecer na residência.

“Procuramos outros apartamentos e os preços estavam bem acima do que daria o nosso aluguel já com o reajuste. Ponderamos sobre o assunto e, como já conhecemos o dono, com quem temos uma boa relação, decidimos adequar nosso orçamento e ficar no apartamento. A localização é ótima e seria muito complicado para a gente se mudar”, conta.

Negociar é o melhor, dizem especialistas

O preço dos aluguéis deve ser reajustado de acordo com o IGP-M. , segundo a presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado do Amazonas (Sindimoveis-AM), Jane Farias. Ainda assim, de três em três anos, em média, o proprietário da residência pode pedir uma reavaliação no valor pago.

“Com o tempo, a residência pode valorizar ou desvalorizar por interferências externas. Nestes casos, o proprietário pode pedir uma reavaliação do imóvel e concluir de que o preço está defasado. Fora isso, o reajuste deve ser pautado pelo IGP-M”, diz.

Se o inquilino considerar o aumento abusivo, poderá tentar comprovar na justiça o exagero no reajuste e depositar judicialmente o aluguel com o reajuste normal, até que saia a decisão judicial. Mas esta medida oferece riscos. “Se ele nunca deu problema, nunca atrasou aluguel e quer ficar no imóvel, ele pode tentar na justiça. Mas se o locador conseguir provar que tem uma proposta maior, ele não é obrigado a manter o contrato. E é preciso considerar os gastos com advogados e todo o tempo que se perde no processo. O melhor é tentar negociar”.

Para o advogado Iovane Nunes Penha, do escritório Felix Ferreira & Advogados Associados, se o aumento estiver fora da capacidade orçamentária da família, a melhor saída é mesmo negociar e, para isso, ter sempre em mãos dados e informações.

“Quando o aumento está muito acima do IGP-M, ele pode ser considerado um crime contra a economia popular. O melhor negociar uma saída”, afirma.