Federação Nacional dos Corretores de Imóveis

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APESAR DOS DESAFIOS, MERCADO IMOBILIÁRIO DO BRASIL
É ATRAENTE, DIZ UM DOS PALESTRANTES DO SUMMIT 2016

Para o chefe global de investimentos da Blackstone’s Real Estate Group, Kenneth Caplan, há muitos desafios econômicos e políticos no Brasil, mas esse tipo de ambiente normalmente cria oportunidades.  "É um ambiente interessante e nos incentiva a investir", afirmou o keynote speaker do Summit Imobiliário Brasil 2016, realizado ontem em São Paulo. O evento, que teve a Fenaci como uma das entidades apoiadoras, foi promovido pelo jornal ‘O Estado de S. Paulo’ e pelo Secovi-SP, dia 12/4, e reuniu especialistas em mercado imobiliário de renome nacional e internacional.

Para o presidente da Fenaci, Joaquim Ribeiro, que esteve lá, “o encontro foi extremante importante não só pela excelente troca de experiências que eventos dessa natureza normalmente propiciam como também em função da crise político-econômica que estamos vivendo. Foram debatidos temas e tendências do mercado imobiliário em termos de país e de mundo, mas não se deixou de analisar o país sob o aspecto da economia e dos males a ela trazidos pela má gestão política”.

PAÍS AINDA É BEM-VISTO LÁ FORA – Apesar da crise, kenneth Caplan disse que há muitas razões para olhar o Brasil com bons olhos em temos de investimentos, citando, entre elas, a demanda reprimida no segmento imobiliário. Entre os desafios, além dos dados macroeconômicos, como inflação e alta taxa de juros, ele destacou alguns fundamentos enfraquecidos do mercado imobiliário.

Um exemplo, segundo ele, foi o aumento da oferta de espaço para escritórios em São Paulo, de 149% entre os períodos 2008-2011 e 2012-2015. A oferta elevada, conforme destacou, é um sinal de enfraquecimento, mas não significa que se deva ficar parado. "Estamos investindo", disse, citando que a empresa fez recentemente aquisição de um espaço logístico em São Paulo. A empresa possui globalmente US$ 94 bilhões sob gestão em ativos imobiliários e outros US$ 23 bilhões disponíveis para serem investidos pelo mundo.

DO PARAÍSO AO INFERNO – Antes da apresentação do kenote speaker, falaram, na abertura do evento, o diretor-presidente do jornal ‘O Estado de S.Paulo’, Francisco Mesquita Neto, e presidente do Secovi-SP, Flavio Amary. Mesquita mostrou uma série de imagens nas quais são reveladas a histórica aproximação do jornal com o mercado imobiliário, entre as quais o anúncio de lançamento do Edifício Martinelli, em 1944, um ícone paulistano, descrito como “o melhor negócio imobiliário oferecido a São Paulo”.

Amary, por sua vez, fez uma análise do mercado imobiliário nos últimos três anos, definindo esse tempo como um período em que o setor foi "do paraíso ao inferno". Lembrou os shoppings com lojas vazias, as lajes corporativas ociosas e a locação comercial ou residencial em queda, destacando que o lançamento de novas moradias diminuiu 37% em 2015 em relação ao ano anterior. Diante desse quadro, defendeu o impeachment da presidente Dilma Rousseff, ressaltando, porém, que por si só tal fato não "fará qualquer milagre; apenas abrirá as portas".

VISÃO DE LONGO PRAZO – Na parte da tarde, outro keynote speaker do evento, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, afirmou que o Brasil está na UTI, mas não é paciente terminal. "Não vejo o Brasil como um paciente terminal, mas não tenho uma visão positiva do quadro do Brasil", disse. Para ele, o Brasil vive a maior crise de sua história: "Estamos vivendo o caso de corrupção mais impressionante de nossa história, que não só envolve atos ilícitos, mas acoplados a um projeto de poder", analisou, destacando que a situação exige resposta clara e uma visão de longo prazo.

"Vivemos nesse momento e, a partir disso tudo, uma descrença na política e nos políticos do Brasil. Precisamos de uma visão de longo prazo para encontrar saída para essa situação em que nos encontramos”, concluiu.

JUROS E CRÉDITO IMOBILIÁRIO – Outro participante dos painéis do Summit, foi o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Gilberto Duarte, para quem a produção de crédito para o mercado imobiliário pode retomar patamares importantes, ao redor de R$ 70 bilhões a R$ 80 bilhões ao ano, com retração da taxa Selic para 10% a 11%.

A projeção se baseia, segundo ele, na tese de que com o juro nesses níveis, a poupança volta a competir com os fundos de tíquetes menores, entre R$ 50 mil a R$ 100 mil, considerando os custos com taxa de administração e imposto sobre o ganho. "Nesse momento o fluxo da poupança volta e pode irrigar o mercado imobiliário", disse em conversa com jornalistas. Ele considera que com a taxa de 12,3% projetada para o ano que vem, já existe potencial para boa melhora do mercado.

Para o empresário Rodrigo Luna, outro a se apresentar no Summit,  o teto de juros para aquisição de imóveis dentro do programa Minha Casa, Minha Vida deveria ser de no máximo 5% ao ano, pois o programa teria de ser enquadrado à renda e capacidade de pagamento das famílias.

"Como a remuneração do FGTS, que é a principal fonte de recursos para financiamentos no programa, é fixa em 3% mais TR, não tem motivo para aumento de juros para o tomador de crédito", afirmou o executivo, que também é vice-presidente de habitação econômica no Secovi-SP.  "Isso só dificulta o acesso ao crédito e o programa vai ter muito menos contratações", previu.