Federação Nacional dos Corretores de Imóveis

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DIA INTERNACIONAL DA MULHER: HORA DE RELEMBRAR
VITÓRIAS E REFLETIR SOBRE O QUE HÁ PARA CONQUISTAR

Não bastassem os números assustadores da violência – 118 casos de agressão por dia só no Estado do Rio de Janeiro –, as mulheres também têm de enfrentar outra adversidade no dia a dia: a desigualdade salarial. Recente pesquisa da Catho revela que as mulheres continuam ganhando menos que os homens – mesmo ocupando os mesmos cargos – e desenvolvem a carreira de forma mais lenta, se comparada com o gênero masculino. O levantamento, feito com 13.161 profissionais, mostrou que as mulheres têm desvantagens em quase todas as áreas, chegando, a alguns casos, a ganhar quase a metade do salário dos homens.

Mas apesar do quadro desafiador que enfrentam em sua rotina diária as mulheres rompem barreiras e conquistam espaço nas mais diversas áreas. A corretagem imobiliária, até bem pouco tempo uma atividade reservada ao sexo masculino, está entre as profissões onde as mulheres vêm conquistando grande participação. Estima-se que, dos cerca de 350 mil corretores imobiliários existentes no país, mais de 40% sejam mulheres.

A presença feminina no segmento, porém, não se restringe ao exercício da profissão. Elas também, embora com intensidade ainda menor, vêm atuando de maneira crescente em entidades voltadas à defesa da categoria, seja ocupando cargos na diretoria da Fenaci, seja no comando de sindicatos de corretores de imóveis.

DEIXOU DE SER COADJUVANTE – Para Maria Elizabeth de Oliveira, diretora de relações públicas da Fenaci e a primeira mulher a presidir o Sindimóveis-ES, “a mulher do século XXI tem mais autonomia, deixou de ser coadjuvante para assumir um lugar diferente na sociedade, com novas liberdades, possibilidades e responsabilidades”, se apropriando “cada vez mais do mercado de trabalho, embora grande parte tenha uma jornada dupla de trabalho, pois além do emprego fora há as responsabilidades da casa”.

Beth, como é mais conhecida, ressalta que as mulheres têm buscado com afinco a profissão de corretora de imóveis e que atualmente o número de mulheres na profissão no Estado do Espírito Santo está em torno 24% dos profissionais ativos.

“Da mesma forma o empenho das mulheres no sentido de integrar a diretoria do Sindimóveis-ES tem aumentado consideravelmente”, destaca Beth, lembrando que a eleição sindical de 2017 terá seis corretoras participando, o que equivale a 32% do total de diretores, cujo número é 19”.

Beth, que preside o sindicato que sediará o próximo Congresso Nacional de Corretores de Imóveis (XXVII Conaci), em 2018, acredita que a participação em termos de diretoria da Fenaci ainda é muito pequena, pois dos 36 diretores apenas sete são mulheres. “Se temos um mercado imobiliário nacional com quase 50% de profissionais liberais mulheres corretoras de Imóveis, porque isso não é representado nas entidades? Sou a favor da proposta que está em andamento em muitas organizações políticas de lutar e se esforçar para que seja mantida a paridade de gênero”, defende.

ALAVANCA DO MERCADO – Marta Recaldo Lino, diretora-administrativa da Fenaci, a primeira mulher a presidir o Sindimóveis-MS, que já sob sua gestão sediou em Bonito, em setembro último, o XXVI Conaci, destaca que a mulher brasileira, no contexto geral, tem despontado de maneira assustadora e satisfatória em todos os níveis, resguardados alguns segmentos”.

No que se refere à corretagem imobiliária, Marta afirma que as mulheres “têm sido a alavanca propulsora do mercado, demonstrando capacidade de gerir negócios com lealdade, transparência, qualificação e no tom de simpatia e beleza que a sociedade merece”.

“Entendemos que só temos de ampliar esta participação, dando sempre p maior apoio. As mulheres, acredito, serão a moralidade maior deste país. É hora de sair do quadro do machismo, da hipocrisia e abraçar a causa com todas as forças, para que o papel não se retroaja. Mulheres no poder, é muito saber”, conclama Marta.

MULTITAREFAS – Lucimar Alves Elias, presidente do Sindimóveis-GO e vice-presidente para Assuntos Legislativos da Fenaci, afirma que as mulheres conquistaram grandes espaços nas mais diversas atividades e em especial no mercado imobiliário, “por saberem desempenhar múltiplas tarefas,  serem profissionais qualificadas e comprometidas  o que exige a profissão. A participação feminina no mercado imobiliário em Goiás chega a quase 40%.

Em termos de entidades, como a Fenaci e os sindicatos, Lucimar vê a participação feminina de maneira positiva, embora o número seja pequeno, pois o ambiente, até algum tempo atrás, era predominantemente masculino.

“A Federação tem seis diretoras, mas em outras entidades o número é, às vezes, ainda menor, refletindo o mercado de trabalho, onde ainda predominam os homens. E as razões para isso são várias. Há o preconceito e talvez falte posicionamento da mulher em assumir o seu lugar de direito. A mulher precisa conhecer seu espaço e fazer suas escolhas, não aceitando receber menos do que um homem”, defende Lucimar.

TRABALHO PERMITE FLEXIBILIDADE – Jane Picanço de Farias Lima, do Amazonas, vice-presidente da Fenaci para a Região Norte, lembra que muitas mudanças ocorreram nos últimos 20 anos e muitas delas estão relacionadas ao sexo feminino.  “A mulher saiu da posição de submissa e buscou seu lugar tanto em casa quanto no campo de trabalho. Entendeu que o estudo seria um caminho para seu crescimento. Outro ponto é a decisão em não ter filhos tão cedo e casar também sem pressa. Está decidida, sabe o que quer e quando quer”, analisa Jane.

“Estou há 25 anos na corretagem e percebo o crescimento gradativo do número de mulheres corretoras de imóveis. Penso que as mulheres são mais detalhistas, dinâmicas, pacientes e porque não afirmar que são mais organizadas, comunicativas. A profissão possibilita a flexibilidade de horário para que possamos realizar nossas diversas atividades, como cuidar da casa, levar filhos na escola, cuidar da beleza e de atividade profissional com muita tranquilidade”, afirma Jane, qualificando como “maravilhoso” o crescimento da presença feminina na diretoria da Fenaci e nos sindicatos.

“Quando entrei para diretoria, em 2009, só tinha mais uma mulher; hoje são sete. Espero que mais mulheres se interessem em assumir os sindicatos para que seja crescente este número na Federação”, diz.

Apesar de várias barreiras vencidas, há muito a se conquistar, no entender de Jane. “As leis são protetivas, mas não eficazes. Na prática ainda existem mulheres denunciando seus parceiros e pouca ou nenhuma providência sendo tomada por quem de direito. No campo de trabalho há discriminação com salários e postos de liderança. Não se nega que muitas encontram-se em posição de destaque e em alguns casos em profissões antes ocupadas somente por homens. No campo político, na busca pela igualdade de gênero  e pela representatividade feminina, a Lei das Eleições obrigou que 30% dos candidatos sejam do sexo feminino. Ainda assim a representatividade na política é abaixo do esperado”, conclui.

MUITOS DESAFIOS À FRENTE – Maria Cristina Chaul Barbosa, presidente do Sindimóveis-CE e diretora Jurídica e Tributária da Fenaci, concorda com Jane, que  mulher brasileira, ao longo destes últimos 20 anos, vem conquistando seu espaço nas diversas áreas da sociedade.

“As mulheres, ao ocuparem diversas esferas econômicas e sociais, constroem um novo Brasil: forte, inclusivo e competitivo. Visando a  assegurar a dignidade das famílias, o governo implementou nos últimos anos politicas publicas que permitiram reconhecer as mulheres como ‘chefes de família’. Assim, o acesso a credito, o reconhecimento social e a inclusão em projetos sociais foram ampliados. No entanto, há muito ainda que avançar para se alcançar a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Os dados sobre a opressão sofrida pelas mulheres são assustadores. No Brasil, a cada cinco minutos, uma mulher é agredida. Em cerca de 70% dos casos, o agressor é o marido ou namorado, conforme o relatório do Ministério da Justiça”, lamenta Cristina, lembrando uma das vitórias contra essa situação foi a Lei Maria da Penha.

Na década de 1990, na análise da presidente do Sindimóveis-CE, houve o fortalecimento da participação feminina no mercado de trabalho, uma vez que estas assumiram também a responsabilidade no comando das famílias.

“Com isso, o poder aquisitivo familiar aumentou. Atualmente, as mulheres se preocupam com suas qualificações profissionais, em cursar ensino superior e cursos técnicos, o que deverá permitir conquistarem a equiparação salarial no mercado de trabalho. Na área imobiliária, não é diferente. As mulheres corretoras, nestas ultimas duas décadas, conquistaram um grande espaço profissional através da qualificação e capacitação nas diversas áreas em que atuam. As mulheres corretoras de imóveis são hoje 40% dos profissionais atuantes na área de corretagem de imóveis no Brasil. Destacam-se nas negociações imobiliárias por terem uma grande sensibilidade na hora de solucionar os conflitos. Normalmente, são mais comunicativas e multitarefas, conseguindo resolver diversos problemas ao mesmo tempo.”

“Atualmente, as mulheres corretoras de imóveis são muito mais respeitadas. Ao longo dos anos, conquistaram o respeito da sociedade e dos diversos setores da área da habitação e imobiliária, como construtores, empreendedores e incorporadores. Nos estandes de plantões de vendas dos empreendimentos imobiliários, os incorporadores se preocupam em oferecer um ambiente bem mais acolhedor, com toaletes e proteção, o que anteriormente não existia, o que acabou atraindo também os clientes”, conclui Cristina, alertando que corretoras de imóveis ainda enfrentam certos preconceitos por serem mulheres.

“Algumas atividades corriqueiras da profissão, como marcar um café com o cliente ou um almoço, precisam ser feitas com muito cuidado no caso das mulheres, para evitar interpretações maliciosas. Mas o tempo, a luta incansável pelo respeito à profissão e a postura profissional das mulheres corretoras, rapidamente eliminará tais preconceitos.

PAÍS PRECISA DE TODOS – Para Eliene Sousa, da Bahia, vice-presidente de Relações Sindicais da Fenaci, a mulher está cada vez mais se destacando na sociedade.

“Na nossa categoria é visível. Muitas companheiras dirigentes, gestoras e líderes sindicais. No dia a dia a corretora de imóveis compete hoje igualitariamente com o homem. São seres batalhando dia a dia para sobreviver. Não observo diferenças. O último Congresso da categoria foi brilhantemente presidido por Marta, presidente do Sindimóveis-MS, e tenho certeza que não será diferente com Beth, em Vitória, no Espírito Santo, em 2018. A União dos sexos e gêneros só nos dá lucros e esperanças no mercado em crise.

Marly da Silveira Ferreira, ligada ao Sindicato dos Corretores de Imóveis do Município do Rio de Janeiro, diretora-comercial da Fenaci, diz que todas as mulheres estão de parabéns. “São representantes em nossas Entidades de Classe, dirigentes de grandes empresas, profissionais bem-sucedidas, empreendedoras, guerreiras vitoriosas. Somos muitas em uma só”.

O presidente da Fenaci, Joaquim Ribeiro, ressalta a evolução da sociedade com relação à mulher, mas admite que ainda “há muito por conquistar no que se refere à presença feminina no mercado de trabalho. Além da dupla jornada que muitas têm de enfrentar, dividindo-se entre o lar e o trabalho formal, estudos mostram que as mulheres ainda têm salários bem inferiores aos dos homens. Por isso, por meio de nossas presidentes de sindicatos, cumprimento todas as corretoras de imóveis do Brasil e as mulheres de maneira geral pelo 8 de março, lembrando que o País precisa de todos nós, independentemente de sermos do sexo masculino ou feminino.”