Federação Nacional dos Corretores de Imóveis

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XVI Conaci - Congresso Nacional de Corretores de Imóveis

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28, 29,30 de novembro e 01 de dezembro de 1990 Salvador - Bahia

XVI Conaci - Congresso Nacional dos Corretroes de Imóveis
28, 29,30 de novembro e 01 de dezembro de 1990
Salvador - Bahia

Carta de Salvador

Os corretores de imóveis de todo o Brasil, irmanados no interesse comum, reuniram-se na cidade de Salvador, Bahia, para discussão dos problemas que afligem a categoria e o mercado habitacional, nestes momentos angustiantes por que passa nosso País, no intuito de achar soluções para as questões mais emergentes.

Contrariando aqueles que julgaram não ser o momento oportuno para a realização do Congresso, reiteraram a necessidade de, principalmente nos momentos de crise, encontrar alternativas para o exercício pleno das suas atividades. Foram o que fizeram os congressistas neste XVI CONGRESSO NACIONAL DOS CORRETORES DE IMÓVEIS.

Durante quatro dias, 28, 29,30 e 01/12, foram exaustivamente analisadas as questões e dificuldades resultantes do novo Plano de governo, e, que resultaram resumidamente, nos seguintes tópicos:

APART – HOTEL

Com muita objetividade foi apresentada a experiência já realizada em todo o país na constrição de Apart-hotel, sinalizando ser este segmento, não uma esperança para a abertura de novo campo de investimento e mercado amplo de trabalho para os corretores de imóveis, porém, uma realidade bastante comprovada.

Esta tendência de mercado, é uma necessidade da sociedade contemporânea, pela vida moderna e atribulada da família nos grandes centros, seja como Apart-hotel, Flat-service, Residence ou Semiflat.

Face as dificuldades sobejamente conhecidas na área de locação, o Apart-hotel oferece oportunidade de investimento com retorno financeiro altamente satisfatório.

LOCAÇÃO

Indiscutivelmente a área de locação, pelos problemas sociais que envolve, é o setor imobiliário que maior polemica consegue gerar.

A interferência dos governos anteriores com a pseudo intenção de amenizar a situação dos inquilinos, tem na realidade colaborado para a inquietação dos mesmos, desestímulo aos proprietários de imóveis, e, entre os dois setores a situação constrangedora dos administradores e locadores de imóveis.

A locação subsidiada que favorece aos locatários e transforma, aquele proprietário, que durante sua vida conseguiu a duras penas adquirir o segundo imóvel para sua renda complementar sua aposentadoria, no vilão, contraventor e muitas vezes ameaçado de cadeia ao procurar equiparar o aluguel do seu imóvel às suas necessidades de sobrevivência.

As recentes medidas provisórias trouxeram um novo alento ao setor. A discussão desta e outras medidas que influenciam o setor foram objeto de cristalina análise pelos palestrantes e indicaram, através de suas sugestões, o caminho a seguir pelos locadores e administradores de imóveis.


CONSTRUÇÃO A PRECO DE CUSTOS/ INTERMEDIAÇÃO

Um setor injustamente criticado alguns anos atrás foi alvo de minuciosa dissertação e análise de como promover com sucesso o lançamento daqueles empreendimentos. Pela apresentação feita por brilhante palestrante, com imenso cabedal de experiência na área, ficou perfeitamente comprovado o óbvio: estudo adequado da localização, perfeita adequação do empreendimento ao local escolhido, correta e sincera previsão de custos da obra, transparência absoluta nos gastos efetuados e a chancela da idoneidade, trabalho eficaz e garantia de sucesso do corretor que coloca o seu nome à frente do empreendimento – o segredo do sucesso.

Diante das dificuldades, nunca sanadas, de recursos para a construção imobiliária, a CONSTRUÇÃO A PREÇO DE CUSTO é uma das grandes alternativas para o setor.

NOVAS PERSPECTIVAS DA PROFISSAO DE CORRETORES DE IMÓVEIS

A recente desregulamentação de 14 profissões e a possibilidade não muito remota de novas desregulamentações, trouxe ao setor imobiliário, se não a desesperança, pelo menos inquietação.

Através do bom trabalho desenvolvido pelos Sindicatos, principalmente aqueles mais antigos, a profissão de corretor de imóveis adquiriu um ordenamento que somente benefícios trouxe a categoria, culminando com a criação dos Conselhos, Federal e Regionais. A normatização e fiscalização da profissão valorizou o trabalho dos profissionais corretos e promoveu a defesa da COMUNIDADE dos maus profissionais. É importante ressaltar ser esta a principal finalidade dos Conselhos – fiscalizar os profissionais para evitar que a comunidade onde eles atuam seja lesada pelos maus ou ineptos e principalmente pelos não habilitados na profissão.

A criação da Federação Nacional dos Corretores de Imóveis em 1986, com sede no Distrito Federal, veio promover novo canal de comunicação com os poderes constituídos na Capital da República. Estas conquistas trazem no seu bojo mais de meio século de lutas, dedicação extrema e acima de tudo, a vontade férrea de engrandecimento da profissão.

Nossa profissão, regulamentada através da lei nº 4.116, de 27 de agosto de 1962, substituída em 12 de maio de 1978, pela lei nº 6.530 e Decreto nº 81.871 de 29 de junho do mesmo ano pode vir a ser atingida na sua essência com uma eventual desregulamentação – assusta-nos a possibilidade, preocupa-nos os indícios de tal encaminhamento, porém não esmorece o nosso animo de lutar contra tal eventualidade.

A luta do governo é a nossa luta: dar condições de trabalho a quem não tem, melhorar o poder aquisitivo daqueles que tem e, melhorar a capacidade profissional de ambos.

Quem somente quer o bem para sua profissão e, para a comunidade onde ela é exercida poderá ser cadastrado em seus objetivos tão elevados.

POLÍTICA HABITACIONAL

A exposição do Secretário Nacional de Habitação, RAMON ARNUS FILHO, apresentando com objetividade e comedimento as metas para o setor habitacional, sinaliza, não obstante o grande empenho do governo, que a carência de recursos persistirá por mais algum tempo ainda, prevendo para a classe média baixa (até 12 salários mínimos) a liberação de recursos após setembro de 1991, para o mutuário final e garantia de repasse para as construções através de recursos próprios.

A produção de Habitação Social está sendo estudada junto ao Ministério com a participação de um grupo francês devendo a incrementação dos estudos ser realizada em breve.

Um programa muito importante, ao corretor de imóveis e o plano do lote urbanizado com a cesta básica para auto-construção, que foi desenvolvido pelo setor privado, e como ficou claro é este segmento que se inicia o ciclo imobiliário como um todo, e se implantado pode contribuir sobremaneira com a problemática habitacional brasileira.

BANCO DE DADOS

Não obstante o entendimento divergente de alguns setores, o Banco de Dados vem preencher a necessidade de prestação eficiente de serviços aos profissionais da corretagem imobiliária.

Assim como um anúncio não vende um imóvel para o corretor mas facilita o seu trabalho o Banco de Dados vem em seu auxilio como podemos constatar:

1. Mídia de informação ao comprador de imóveis, através de um ordenamento racional na apresentação de anúncios imobiliários, facilitando ao comprador em potencial busca de informações sobre o imóvel desejado.


2. Fonte de informação ao corretor. Face as informações armazenadas o Banco de Dados torna-se um eficiente colaborador do corretor oferecendo a ele um leque de informações que permite decidir sobre as melhores alternativas a serem adotadas.


3. Centro de Avaliação do Comportamento do Mercado. O elenco de dados armazenados, permite ao corretor uma orientação segura no encaminhamento de novos lançamentos, indicação do produto ideal para a região escolhida, tipo de comprador a ser atingido, analise dos preços vigentes nos diversos setores da cidade.

Assim sendo, sua utilização é cada vez mais necessária ao bom desempenho do profissional através de sua utilização pessoal ou por intermédio de suas entidades de classe.

CONCLUSOES

Alem da abordagem específica dos assuntos pautados acima, o XVI Congresso Nacional dos Corretores de Imóveis, debateu temas de relevante sentido para a normatização (ou melhoria) do mercado imobiliário e atividades do contingente profissional:

1 – Reabertura de linha de crédito para financiamento de imóveis novos ou usados para o adquirente final;

2 – Criação de um grupo permanente de trabalho para o acompanhamento junto ao Ministério do Trabalho do problema da desregulamentação das profissões liberais organizadas em Conselho;

3 – Fiscalização dos CRECIs sobre as tabelas de honorários;

4 – Atuação junto às autoridades municipais para incrementando o exercício profissional dos corretores de imóveis, voltarmo-nos à municipalização da habitação.

Salvador, 01 de dezembro de 1990.


João Roberto Melo
Presidente do XVI Conaci

Fotos do Evento