ARGENTINOS FOGEM PARA MIAMI

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Com medo da política de Cristina Kirchner, eles superam brasileiros na compra de imóveis no balneário norte-americano

A insegurança financeira e política dos governos da Argentina e da Venezuela está fazendo com que os habitantes desses dois países busquem investimentos em portos seguros como os Estados Unidos. Em Miami, na Flórida, os venezuelanos são os maiores compradores de imóveis. Em seguida, estão os argentinos, que ultrapassaram os brasileiros este ano, de acordo com dados da Internacional Sales Group (ISG).

Segundo o corretor Rogerio Silva, da ISG, o avanço dos argentinos no mercado imobiliário de Miami reflete a decisão da presidente do país vizinho, Cristina Kirchner, de reduzir a saída de dólares da economia local. Devido à forte desvalorização do peso, a população tem corrido em busca da moeda norte-americana como proteção. "Desde o estouro da bolha imobiliária de 2008, os latino-americanos são os principais compradores de imóveis na Flórida", afirma. O executivo destaca ainda que os argentinos ultrapassaram os brasileiros em quantidade de vendas, mas não em valores. "Eles procuram imóveis mais baratos", assegura.

O fato de o Brasil figurar entre os principais compradores da ISG na Flórida levou a empresa a montar vários escritórios no país. "Vamos abrir quatro filiais neste ano. Além do Distrito Federal, estamos criando bases em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e em São Paulo", comenta Silva. Ele destaca que todos os postos serão abertos ainda neste ano. Os brasilienses, depois dos paulistanos, são os brasileiros que mais compram residência no estado norte-americano. "Boa parte dos clientes de Brasília são servidores públicos que procuram investir no apartamento ou na casa de praia nos Estados Unidos, aproveitando que o custo continua atraente, mesmo com alta do dólar", informa.

Na avaliação de Silva, os brasileiros procuram investir na Flórida devido ao clima e à segurança que não encontram em suas cidades. "Além de pagarem menos, os brasileiros contam que se sentem mais seguros nos EUA diante da violência crescente no Brasil", frisa. O preço médio do metro quadrado de um apartamento em Miami, segundo o consultor, gira em torno de R$ 4 mil, menos da metade do valor médio de um imóvel nas áreas mais nobres de Brasília.

Com a crise financeira de 2008, muitos norte-americanos não conseguiram pagar seus financiamentos e, com isso, devolveram os imóveis aos bancos e às construtoras. Grande parte dos empreendimentos ainda estava em construção. "O valor de mercado dos imóveis nos Estados Unidos despencou 60% e ficou menor do que o preço de custo. Os norte-americanos deixaram de comprar e ainda continuam fora do mercado. O que salva são os estrangeiros", diz Silva. De acordo com ele, no meio da crise, 86 empreendimentos tinham acabado de ficar prontos — um estoque de 17,5 mil unidades no centro de Miami. Desse total, sobraram 1,5 mil, todas de maior valor.

Mesmo a recente alta do dólar não afugentou o comprador brasileiro dos Estados Unidos. Segundo Fabiana Pimenta, corretora de imóveis da Fortune International Realty, "alguns veem na valorização da moeda norte-americana uma oportunidade para comprar antes que os imóveis fiquem mais caros. "Os argentinos estão comprando muito", afirma. "Por isso, as vendas continuam aquecidas em Miami. O estoque de imóveis diminuiu e a onda agora é a de lançamentos na planta, com previsões de entrega daqui a dois anos", comenta. Segundo ela, existem 32 novos empreendimentos no sul da Flórida. "O mercado de imóveis usados também está aquecido", completa.

Fonte: Correio Braziliense - 02/07/2012